Antes de realizar uma cirurgia ortognática, muitos pacientes precisam passar um período de tratamento ortodôntico, no qual os dentes precisam ser posicionados adequadamente para que, durante a cirurgia, a maxila e a mandíbula possam ser reposicionadas conforme o planejamento.

Uma dúvida frequente nessa fase é por que a mordida parece piorar depois que o paciente começa a usar aparelho. Em determinados casos, os dentes ficam mais desalinhados entre as arcadas e a diferença entre o queixo e o restante do rosto pode parecer mais evidente.

Essa mudança pode fazer parte do processo de descompensação dentária, uma etapa necessária em muitos tratamentos ortodôntico-cirúrgicos. Entenda mais abaixo.

Por que a mordida pode piorar antes da cirurgia ortognática?

Em pessoas com alterações na posição da maxila ou da mandíbula, os dentes podem desenvolver inclinações que compensam parcialmente a diferença entre os ossos.

Em muitos casos de Classe III, por exemplo, os dentes inferiores apresentam uma inclinação para trás, enquanto os superiores ficam mais projetados para a frente. Essa adaptação pode ajudar no contato entre as arcadas, mesmo quando existe uma discrepância esquelética.

Durante o preparo ortodôntico, essas inclinações são corrigidas de maneira planejada. Esse processo recebe o nome de descompensação dentária.

Com a movimentação, a diferença entre as arcadas pode ficar mais aparente temporariamente. Isso acontece porque os dentes estão sendo posicionados em relação às suas bases ósseas, preparando as condições necessárias para a correção cirúrgica.

Vale destacar que a intensidade dessa mudança varia conforme a má oclusão e os movimentos necessários. Nem todos os pacientes percebem uma piora significativa na mordida ou na aparência facial.

Quais são as etapas do preparo ortodôntico para cirurgia ortognática?

O tratamento ortodôntico-cirúrgico convencional envolve uma fase de preparação dos dentes, a cirurgia e os ajustes finais da mordida. Ele é composto de:

1. Diagnóstico e planejamento do tratamento

O primeiro passo é avaliar a posição dos dentes, a relação entre maxila e mandíbula, a saúde periodontal e as características faciais do paciente.

Para isso, o ortodontista pode utilizar fotografias clínicas, radiografias, escaneamento intraoral e outros exames de imagem, conforme a necessidade.

Nos casos planejados com cirurgia virtual tridimensional, a tomografia computadorizada pode ser utilizada em conjunto com modelos digitais das arcadas. Esses recursos permitem analisar a anatomia óssea e simular os movimentos cirúrgicos.

O planejamento deve ser desenvolvido em colaboração com o cirurgião bucomaxilofacial, considerando os objetivos funcionais e estéticos do tratamento.

2. Alinhamento e descompensação dos dentes

Nesta etapa, o aparelho ortodôntico é utilizado para corrigir posições dentárias, organizar as arcadas e remover as compensações existentes.

Os movimentos precisam respeitar os limites do osso que sustenta as raízes, evitando deslocamentos excessivos que possam comprometer a saúde periodontal. Durante essa fase, o paciente realiza consultas periódicas para acompanhar a evolução e fazer os ajustes necessários.

A duração dessa fase depende da complexidade da má oclusão, da quantidade de movimentação prevista e da resposta individual ao tratamento.

3. Avaliação final e preparação para a cirurgia

Quando as arcadas atingem as condições planejadas, ortodontista e cirurgião avaliam se o paciente está pronto para o procedimento.

Nessa fase, novos registros podem ser realizados para verificar a posição dos dentes e confirmar os movimentos ósseos necessários.

Nos tratamentos com planejamento cirúrgico virtual, é possível produzir dispositivos personalizados, como guias e placas oclusais cirúrgicas, que auxiliam na transferência do planejamento para o centro cirúrgico.

Esses recursos contribuem para a precisão do procedimento, mas não substituem a avaliação e a execução técnica da equipe cirúrgica.

4. Finalização ortodôntica após a cirurgia

Por fim, depois da cirurgia e conforme a recuperação do paciente, o tratamento ortodôntico continua para realizar os ajustes finais da mordida.

Essa fase pode envolver pequenas movimentações dentárias para melhorar o contato entre os dentes superiores e inferiores.

Ao término do tratamento, são indicadas contenções para ajudar a preservar as posições dentárias alcançadas.

O tempo necessário para essa finalização varia de acordo com a evolução clínica e as necessidades de cada caso.

O preparo para cirurgia ortognática pode ser feito com Invisalign?

Sim. Em determinados casos, os alinhadores transparentes, como o Invisalign, podem ser utilizados durante o preparo ortodôntico para cirurgia ortognática.

Por serem removíveis, facilitam a higienização e oferecem uma alternativa estética para pacientes que preferem evitar os braquetes metálicos.

Ademais, com o planejamento digital também é possível organizar e acompanhar os movimentos dentários ao longo do tratamento.

Entretanto, o uso de alinhadores em pacientes cirúrgicos exige cuidados específicos. Dependendo da movimentação necessária e da técnica utilizada pelo cirurgião, podem ser necessários acessórios auxiliares ou dispositivos temporários para estabilização das arcadas durante o procedimento.

É importante lembrar que o Invisalign também não garante um preparo mais rápido. Tanto os alinhadores quanto os aparelhos fixos podem apresentar bons resultados, e a escolha depende das características do caso.

Quanto tempo dura o preparo ortodôntico antes da cirurgia?

O período de preparação varia bastante entre os pacientes. Em muitos tratamentos convencionais, a fase ortodôntica pré-cirúrgica pode durar aproximadamente de 12 a 24 meses, embora existam situações que exigem menos ou mais tempo.

Entre os fatores que influenciam essa duração estão o grau de apinhamento, a necessidade de descompensação dentária, as condições periodontais e a complexidade da movimentação planejada.

Também existem protocolos em que a cirurgia é realizada antes de grande parte da movimentação ortodôntica, conhecidos como surgery-first. Contudo, essa abordagem não é adequada para todos os casos e depende de critérios clínicos específicos.

Por isso, a previsão do tratamento deve ser individualizada após o diagnóstico.

Por que o ortodontista e o cirurgião precisam trabalhar juntos?

É importante que os dois profissionais atuem juntos, já que o preparo ortodôntico influencia diretamente as possibilidades de movimentação dos ossos durante a cirurgia.

Sendo assim, se os dentes não estiverem posicionados de maneira adequada, podem ocorrer interferências que dificultam o encaixe planejado entre as arcadas.

Assim, a comunicação entre ortodontista e cirurgião bucomaxilofacial deve ocorrer desde a avaliação inicial e continuar durante as diferentes fases do tratamento.

Na Moro Ortodontia, em Curitiba, o Dr. Alexandre Moro realiza avaliações voltadas ao diagnóstico e ao planejamento de casos que necessitam de preparo ortodôntico para cirurgia ortognática.

Se você recebeu indicação cirúrgica ou deseja compreender melhor as etapas do tratamento, agende uma avaliação presencial na Moro Ortodontia para conhecer as possibilidades de preparo ortodôntico adequadas ao seu caso.

FAQ – Perguntas frequentes

Por que a mordida parece piorar durante o preparo ortodôntico?

Porque a descompensação corrige inclinações dentárias que antes disfarçavam parte da diferença entre a maxila e a mandíbula. Com isso, a discrepância entre as arcadas pode ficar mais evidente temporariamente.

É possível fazer o preparo para cirurgia ortognática com Invisalign?

Sim. Os alinhadores transparentes podem ser utilizados em casos selecionados, desde que permitam realizar os movimentos necessários. A indicação depende do planejamento conjunto entre ortodontista e cirurgião.

Quanto tempo dura o preparo antes da cirurgia ortognática?

Em muitos casos convencionais, a fase pré-cirúrgica dura entre 12 e 18 meses, mas esse período pode variar. A complexidade da má oclusão e a quantidade de movimentação dentária são alguns dos fatores que influenciam o prazo.

O que são os guias cirúrgicos 3D?

São dispositivos produzidos a partir do planejamento virtual para auxiliar o cirurgião durante o reposicionamento dos ossos. Dependendo da técnica, podem ser utilizados guias personalizados e placas oclusais que ajudam a reproduzir as posições planejadas.