O teto da sua boca é, literalmente, o chão do seu nariz. Quando a arcada superior não se desenvolve com a largura adequada e fica estreita, o que é chamado de atresia maxilar, o problema não se limita a dentes apinhados ou fora de posição.
Dependendo do grau da alteração, isso também pode estar associado a dificuldades respiratórias, mudanças na postura da língua e alterações na harmonia facial.
Muitos adultos passam anos acreditando que seu único problema são os dentes tortos ou um sorriso que parece pequeno demais para o rosto.
Isso porque ao sorrir em frente ao espelho ou analisar fotografias, percebem espaços escuros nas laterais do sorriso, mas não associam isso à largura do osso.
Aqui, na Moro Ortodontia, avaliamos a maxila sob a perspectiva esquelética e respiratória, observando que a estrutura óssea precisa oferecer espaço e suporte adequados aos dentes.
Sintomas do céu da boca estreito
A atresia maxilar deixa pistas visíveis na cavidade bucal e no dia a dia. Algumas delas são:
| Sinal visível ou sintoma diário | O que acontece na estrutura anatômica | Possíveis consequências |
| Corredor bucal escuro e amplo | A maxila é estreita e em formato de “V”; os dentes de trás não preenchem as laterais do sorriso. | O sorriso parece infantilizado ou colapsado para dentro do rosto. |
| Dentes da frente encavalados ou sobrepostos | Não há perímetro ósseo suficiente para o nascimento e alinhamento dos dentes permanentes. | Dificuldade de higienização, acúmulo de placa e risco elevado de retração gengival. |
| Mordida cruzada posterior (unilateral ou bilateral) | Os dentes de cima mordem por dentro dos dentes de baixo na região dos molares. | Mastigação assimétrica, desgaste prematuro das cúspides e sobrecarga na articulação (ATM). |
| Respiração bucal, ronco e sono não reparador | A base da cavidade nasal é estreitada junto com o palato, reduzindo o fluxo de ar pelas narinas. | Respiração predominantemente pela boca, cansaço crônico e propensão à apneia obstrutiva do sono. |
| Céu da boca muito fundo (palato ogival) | A língua não repousa no céu da boca, permitindo que a musculatura das bochechas comprima a arcada. | Deglutição atípica e alteração na projeção natural do terço médio da face. |
Por que a maxila não expandiu o suficiente?
O crescimento transversal da maxila ocorre principalmente durante a infância e o início da adolescência.
Estas são as causas mais comuns para o desenvolvimento transversal insuficiente da maxila:
- Respiração bucal crônica na infância: rinites alérgicas, adenoides hipertróficas ou desvios de septo forçam a criança a respirar pela boca. Quando a boca fica entreaberta, a língua desce para o assoalho bucal em vez de repousar no céu da boca. Sem a pressão interna da língua para empurrar o palato para os lados, a pressão dos músculos das bochechas fecha a arcada;
- Hábitos orais prejudiciais e prolongados: sucção de dedo ou uso de chupeta além dos 3 anos exercem força contrária ao crescimento lateral do osso;
- Fatores genéticos e hereditários: padrões esqueléticos familiares em que o crescimento maxilar é naturalmente deficiente.
Riscos ao tentar expandir os dentes
Durante muito tempo, tratou-se a atresia maxilar em adultos com aparelhos fixos convencionais ou alinhadores tentando abrir o sorriso à força.
Em pacientes adultos, a sutura palatina mediana tende a apresentar maior maturação e resistência à expansão, o que exige uma avaliação individualizada antes da escolha do tratamento.
Se o ortodontista tentar alargar uma maxila atrésica sem ancoragem óssea, o aparelho apenas inclinará as coroas dos dentes para fora, empurrando as raízes contra a fina camada de osso vestibular.
Dessa forma, quando a expansão dentária é realizada sem considerar os limites ósseos e periodontais, podem ocorrer efeitos indesejados, como inclinação excessiva dos dentes, retração gengival, alterações ósseas e maior risco de recidiva.
Qual o tratamento mais comum da atresia maxilar na fase adulta?
Expandir a maxila de um adulto exige intervenção esquelética real, que é nada mais, nada menos, do que atuar no osso. A seguir, confira os processos mais comuns:
1. Protocolo MARPE
É a solução de eleição na ortodontia contemporânea para evitar cirurgias em ambiente hospitalar.
O Dr. Alexandre Moro instala um expansor ancorado diretamente no osso do palato por meio de quatro mini-implantes ortodônticos.
O aparelho aplica a força mecânica diretamente na base óssea, promovendo a abertura da sutura palatina de maneira controlada, com acompanhamento clínico.
O procedimento busca ampliar a largura da maxila, proporcionando mudanças na estrutura óssea que podem favorecer o alinhamento dentário e a estética do sorriso. Os resultados variam conforme as características de cada paciente.
2. Disjunção cirúrgica (SARPE)
Indicada para pacientes em faixas etárias mais avançadas ou com calcificação óssea extremamente rígida, em que o MARPE encontra limitações mecânicas.
O cirurgião bucomaxilofacial realiza osteotomias planejadas sob anestesia para destravar as resistências faciais, permitindo que o aparelho expansor atue sem sobrecarregar as estruturas vizinhas.
3. Invisalign no refinamento
Após a obtenção da largura óssea real pelo protocolo MARPE, os alinhadores transparentes, como o Invisalign, podem ser utilizados para a segunda fase do tratamento.
Nesse caso, é necessário nivelar cada dente na nova base óssea, fechar o diastema transitório que se abre entre os incisivos centrais e ajustar o encaixe entre as arcadas dentárias com precisão milimétrica.
Diagnóstico tomográfico 3D: como funciona?
Nenhum tratamento de expansão em adultos deve ser iniciado apenas com fotografias ou radiografias panorâmicas convencionais.
Em casos de expansão maxilar em adultos, a tomografia computadorizada de feixe cônico costuma ser indicada para avaliar as estruturas ósseas e auxiliar no planejamento do tratamento e na tomada de decisões clínicas mais precisas.
Com a tomografia 3D, o Dr. Alexandre Moro analisa o grau de maturação da sutura palatina e a espessura da tábua óssea do paciente. Essa avaliação contribui para um tratamento mais previsível e com menor risco às estruturas dentárias.
Se você sente a mordida travada, nota o sorriso estreito ou acorda frequentemente com a boca seca e sensação de sufocamento, agende uma consulta de avaliação presencial na Moro Ortodontia, em Curitiba.
Vamos investigar a anatomia do seu palato e estruturar um plano de reabilitação oclusal e funcional individualizado.
FAQ – Perguntas frequentes
O que é atresia maxilar?
É a deficiência transversal no crescimento do osso superior da boca. Ela pode dificultar o encaixe correto com a mandíbula, reduzir o espaço para os dentes e estreitar a cavidade nasal, podendo prejudicar a respiração.
Adultos podem alargar o céu da boca sem cirurgia hospitalar?
Em determinados casos, sim. Por meio do protocolo MARPE, utilizam-se mini-implantes fixados diretamente no osso do palato. Esse aparelho permite separar a sutura maxilar no próprio consultório, sem necessidade de internação hospitalar ou cortes extensos.
O MARPE ajuda a melhorar a respiração e o ronco?
Sim, pode ajudar em muitos casos. Como o teto da boca é o chão da cavidade nasal, a disjunção esquelética alarga a base do nariz, o que pode facilitar a passagem de ar, melhorar a respiração nasal e aliviar episódios de ronco e apneia obstrutiva.
Usar apenas aparelho fixo ou alinhador resolve o céu da boca estreito em adultos?
Não em casos de atresia óssea verdadeira. Aparelhos convencionais apenas inclinam os dentes para fora, o que não altera a largura real do osso e pode gerar perda óssea e retração gengival. É preciso, antes, expandir a base óssea, com MARPE ou, em alguns casos, SARPE.